quarta-feira, 29 de maio de 2013

Entrevista com a professora Mirian Aguiar

Minha entrevista foi feita com a professora Mirian Aguiar Ferreira, de 47 anos. Formada em Biologia (licenciatura) e pós-graduada em ciências ambientais na Feuduc. Atualmente Leciona na creche municipal São Sebastião, situada em Duque de Caxias, com uma sala de leitura e uma turma fixa.
Nascida em 1966, diferente de mim a entrevistada não estudou na educação infantil, sendo assim alfabetizada em casa. Em sua educação básica estudou em sete instituições: Escola particular Anabele Palais, Escola municipal Vila Operária, Instituto Tinoco, SESI, Instituto Nossa Senhora da Glória, Colégio Estadual Dulce Petri e Feuduc. Instituições que ela afirmava ser bem autoritárias sendo assim muito parecidas com as três instituições na qual estudei: Centro Educacional Fluminense, Núcleo de Ensino Alda Baense e Colégio Estadual Minas Gerais, situadas em Duque de Caxias.
 No ensino fundamental sofreu o que hoje chamamos de bullying por parte de alguns colegas de classe, mas não considera isso um trauma, e sim como um incentivo. Perguntada se tinha um professor predileto no ensino médio, a entrevistada afirma que nenhum específico, mas que alguns ficaram na memória, pela forma com a qual trabalhavam, com humor e alegria, características em um professor que também chamava minha atenção. Assim como eu, escolheu seu curso superior por influência de um excelente professor que tinha como foco uma educação problematizada.
Ingressou na carreira de professora aos 22 anos no ensino público, no município de Duque de Caxias, onde se encontra até hoje e onde se encontrou profissionalmente.
Sobre seu método de trabalho acredita no bom manejo de classe, ouvindo os alunos, seus gostos e preferências, procurando despertar o prazer de aprender, respeitando funcionários e comunidade escolar como parceiros na missão de educar.
Questionada sobre a influência do contexto educacional e politico da época, ela diz que procurou conciliar o ontem e o hoje, aproveitando o que foi bom, e questionando algumas coisas do contexto que já não se encaixam no contexto atual, pois acredita que enquanto a educação estiver atrelada a política partidária continuaremos a andar para trás na educação.
Diante das condições de trabalho a professora Mirian, relata que arquitetura e material escolar nunca foram os desejáveis, e que os valores da escola dependem dos gestores e da equipe de docentes dispostos a saírem da zona de conforto, e a questionarem melhores condições de trabalho, e também maior participação de toda comunidade no dia a dia escolar.   




Diploma de graduada em Biologia



Diploma do Ensino Médio Formação Normal


Entrevista realizada por: Elias Ferreira do Amaral

Entrevista com o professor Tainan Diniz

O meu entrevistado foi o Professor Tainan Diniz B. Guerra, de 23 anos. Atualmente professor de História no ensino fundamental, médio, pré-técnico, pré-militar e pré-vestibular.
 Iniciou seus estudos em 1992, passando pelas escolas Turma do Recrutinha em Jacarepaguá e Balão Mágico em Irajá, na educação infantil. No ensino fundamental estudou no Centro Educacional de Ensino Modelo (hoje o atual Turma da Mônica) e no Centro Educacional Muniz Silva, ambos em Irajá. No ensino médio entrou no colégio Futuro Vip na Vila da Penha, onde cursou os três anos de ensino médio. Seu ensino regular foi bem diferente do meu, exceto pela educação infantil que também fiz em escola privada, estudei do fundamental ao ensino médio em instituições públicas.
 No ensino superior passou para Geografia na UFRJ e tentou cursar Administração na UniverCidade, mas não se identificou com nenhuma delas, só descobriu sua real vocação quando resolveu fazer História na Veiga de almeida, descobriu que no fundo era o que sempre quis.
Começou a atuar como professor logo no primeiro período da faculdade, em cursos de tirar dúvidas, em Duque de Caxias. Logo depois começou a dar aula no colégio Souza Amorim na Vila da Penha no qual permanece até hoje e no Futuro Vip nas unidades Vila da Penha e Taquara.
Ao ser perguntado sobre seu método de ensino ele diz: “Eu não sou conservador, nem sou sócio-interacionista porque não acredito em interação de sociedades oprimidas dentro de sala de aula, acho que é um método muito libertário. Temos que entender que o aluno não está ali só para aprender, ele também está para ensinar. Acho que o principal foco da educação é você ensiná-lo a aprender, ensiná-lo a ter autonomia de conhecimento”.
Em suas experiências como professor ele diz que dependendo da sua expectativa e autoestima até pode ser frustrante, mas não existe nada mais recompensador do que o sorriso de um aluno, demonstrando que aprendeu e entendeu, diz que não há nada melhor do que você poder libertá-lo através do conhecimento.
Nos colégios em que trabalhou ele conta que havia discrepâncias pedagógicas, como em todas as outras instituições. Embora não se considere conservador, ele diz que as instituições particulares de hoje em dia são conservadoras e lineares, elas se preocupam com que o aluno decore para passar no vestibular ou na prova, mas não se importa com que aprenda o conteúdo.
Ao ouvir isso, percebi que nas escolas que estudei mesmo não sendo particulares, tinham o mesmo método de ensino. Estudava para as provas porém no ano seguinte não lembrava do conteúdo, o que me trouxe a necessidade de fazer um pré-vestibular ao terminar o ensino médio por falta de uma boa base.
Ao final da entrevista, ele ressalta que o método de ensino atual é mecanicista. Ele diz: “Enquanto as maiores potências do mundo pensam que o aluno tem que ser formado como um cidadão pleno e autônomo, não dependendo da sociedade e sim sendo um membro motriz dela, nós estamos formando seres bitolados, que só sabem repetir conteúdos, o aprendizado programado, que vão aprender hoje e esquecer no dia seguinte. Enquanto o principal dote da educação, não é apenas conteúdo e sim exemplos, nós (professores) que devemos ser grandes exemplos em sala de aula e devemos levar grandes exemplos para lá, para que assim possamos incentivar nossos alunos”.



Professor Tainan e alunos do Souza Amorim




Entrevista realizada por: Karoline Esthefane F. Lacerda


Entrevista com a Professora Aline Pomodoro

Minha entrevistada foi a professora Aline Pomodoro de Meira Lima Cabral, de 34 anos. Aline fez o Curso de Letras Português-Inglês na UFRJ iniciado em 1999 e concluído em 2003 com Licenciatura.

        Em toda sua vida escolar passou por apenas três colégios: Patinho Sabido no Maternal, e Jardim I e II; O Ensino Fundamental completo foi na Escola Pio XII (Vila Kosmos, Rio de Janeiro) no bairro onde morou durante a infância com os pais. O Ensino Médio foi cursado no Colégio Metropolitano no Méier.

         Ao ser perguntada sobre as dificuldades em passar pelo vestibular a entrevistada diz que não sentiu esse peso. Aline nos conta “Aos 17 anos me formei pelo curso CCAA onde frequentei dos 7 aos 17 anos, e como o vestibular colocava um peso maior nas matérias que você usaria durante a faculdade, não senti dificuldade”.

         A entrevistada começou a lecionar em cursos particulares aos 19 anos, e diz que nunca mais parou. Aline também nos conta que seu pai é tradutor, e desde criança teve contato com diversos idiomas, mas sua paixão sempre foi o inglês. Em suas palavras e com alegria nos olhos ela me diz: “Escolhi o curso de Letras, pois sou apaixonada pela Língua Inglesa. Gosto de dar aulas para todas as idades, sempre tenho coisas para aprender desde a criança até os mais idosos”.

         Quando perguntada sobre as melhores experiências como professora ela diz que foi o tempo que passou dando aula fora do Brasil. “Dar aula nos Estados Unidos me trouxe uma grande bagagem porque eu trabalho com a Língua Inglesa, tento trazer um pouco dos costumes para os meus alunos”.

         Atualmente dando aulas particulares e trabalhando como professora em escolas do Município do Rio de Janeiro, Aline diz que busca nivelar independente da classe social. “Tenho alunos que já viajaram por diversos países, e outros que sequer saíram do Rio de Janeiro. São realidades completamente diferentes, e que necessitam de abordagens diferentes também. Penso que um bom professor precisa saber motivar o aluno. Sou uma professora que não mede esforços para o aprendizado, e posso dizer que não tem nada melhor do que entrar em uma sala de aula e escutar alguém dizendo – Ms. Aline.
Me realizo no meu trabalho, e consigo um retorno financeiro agradável”.

         Comparando minha vida escolar com a da entrevistada só temos semelhança por ter cursado o Maternal e o Jardim em escola privada, pois o Ensino Fundamental e Médio cursei em escolas públicas.






Foto de formatura da faculdade




Entrevista realizada por: Mariana Desirée dos Santos.

Entrevista com o professor Marcos Paiva

Meu entrevistado, o professor Marcos Paiva, leciona geografia desde 1990, teve uma escolarização muito parecida com a minha, sempre estudei em escolas públicas, a diferença entre nós é que eu fiz o ensino médio em um colégio normal e estou cursando a UERJ ao invés da UFRJ. Ele estudou nas E.M. Thaumaturgo de Azevedo: 2º ao 4º ano; E. M. Carlos Caetano Miragaya: 6º ao 9º ano; E. T. Visconde de Mauá (hoje FAETEC de Marechal Hermes): 1º e 2º ano; C. E. Carlos Lacerda (noturno): 2º e 3º ano, conseguiu vaga para cursar a faculdade de licenciatura plena em geografia na UFRJ em 1986 e terminou em 1990. 

Em 1990 quando começou a dar aula, a primeira escola em que trabalhou foi o C.E. Alberto Pasqualini onde permaneceu por 14 anos. Trabalhou com cursos noturnos onde encontrou muitas dificuldades, pois a maioria dos alunos estava interessada mais em ter um diploma do que aprender algo, sem nenhum interesse com a educação. De 1992 a 1994 trabalhou com Ensino Fundamental, na escola E.M Paraguai, mesmo o município pagando melhor, ele não quis continuar no município, pois não concordava com a política de aprovação automática adotada pelo prefeito César Maia. Em 2004 começou a dar aula no colégio que leciona hoje em dia, o Instituto de Educação Carmela Dutra, uma escola normal onde eu tive aula por dois anos com o professor Marcos Paiva (2010-2011) apesar dos problemas encontrados, ele gosta de lá pois é um colégio público que oferece uma estrutura melhor e tem um projeto pedagógico definido.
O professor Marcos Paiva, que usa uma prática de ensino progressista, escolheu geografia porque gostava de geografia na escola, mas só escolheu ser professor depois de fazer as disciplinas pedagógicas e porque com o magistério poderia contribuir de alguma forma para o país.
Quando perguntado sobre o que poderia me dizer sobre a experiência como professor ele disse
“Vou utilizar as palavras de uma ex-aluna do Carmela:
'Porque ser professor é a aventura mais louca do mundo, é a realização mais plena de quem faz da sua escolha um projeto e da sua missão uma lição de vida e amor, amando no mais intimo do ser, a essência escondida do saber.' "

A lembrança que o meu entrevistado tem da sua formação, seu sonho era ser um grande astronauta.

Professor Marcos e alunas do IECD


Entrevista realizada por: Renato Calmon de Araújo

Conclusão

Os professores entrevistados têm escolarizações muito divergentes, metade estudou em escolas públicas e metade em particulares, já na faculdade a maioria cursou faculdades públicas. 
Ao lecionarem em instituições públicas e particulares tiveram que lidar com diferentes dificuldades, como material didático e estruturas inadequadas, grandes diferenças sociais dentro da sala de aula, desinteresse dos alunos em aprender e escolas conservadoras. Isso nos mostrou que as dificuldades encontram-se em todas as escolas, e o quão é difícil criar alunos críticos em um sistema que atrapalha o trabalho dos professores.
Em comum podemos citar o amor por ensinar, e a vontade de que seus alunos aprendam não só para o momento, e sim para uma vida inteira.